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Obesidade Infantil: Porque se Importar?

Obesidade é uma doença. Ninguém opta por ser obeso! Existe todo um processo bioquímico envolvido na origem da obesidade, sendo alguns evitáveis. Devemos e podemos cuidar de nossas crianças.

Meus pais são gordos e eu sempre fui gordinho! Pode ser MINHA GENÉTICA?

  • Os GENES têm apenas uma parcela de culpa na ocorrência da obesidade.

    • A influência genética mais comum da obesidade é POLIGÊNICA, isto é, depende de VÁRIOS genes. O “mapa gênico da obesidade humana” continua aumentando a cada ano. Já são mais de 400 genes identificados e “culpados” pela obesidade humana.

      • No entanto, porque temos muitos “vilões”, fica quase impossível identificar ou tratar a obesidade somente do ponto de vista genético.
    • Os casos de obesidade MONOgênica (devido a alterações em UM único gene) existem, mas são muito RAROS. Várias mutações envolvendo a via de sinalização da melanocortina já foram descritas e incluem mutações no gene da leptina, do receptor da leptina, da proopiomelanocortina (POMC), e do receptor da melanocortina (MC4R).

      • Apenas nos casos de deficiência da leptina, o tratamento com a mesma pode reverter o quadro de obesidade. Nos demais casos, não há tratamento específico.
    • Existem ainda os casos de algumas síndromes genéticas (click aqui), em que um gene pode causar obesidade além de outras alterações existentes na síndrome em questão. Para maiores detalhes, veja a seção de  síndromes genéticas (click aqui).
  • O mais importante é assumir que os genes não determinam a obesidade de uma pessoa SOZINHOS. É necessário AMBOS, GENES E COMPORTAMENTO (hábitos), para que uma pessoa fique obesa. Em alguns casos, vários genes podem aumentar a sua susceptibilidade para ser obeso, mas isso requer outros fatores não genéticos e EVITÁVEIS, tais como excesso de comida e pouca atividade física. 

Quando sei que estou OBESO?

  • Através do seu IMC ou  Índice de Massa Corporal. Além do peso, o IMC considera sua altura e idade.
  • IMC =                   Peso (Kg)               = Kg/m2
                    Altura (m) x Altura (m)
  • Diferente do adulto, que já parou de crescer, não existe um valor único de IMC para dizer se a criança está ou não acima do peso. É preciso olhar na curva de crescimento, onde você tem os valores de IMC de acordo com a idade e o sexo da criança.
  • SOBREPESO (acima do peso / “cheinho”): Se estiver + 1 desvio padrão (> percentil 85) ACIMA DA MÉDIA da população da mesma idade e sexo.
  • OBESO (gordo): Se estiver + 2 desvio padrão (> percentil 95) ACIMA DA MÉDIA da população da mesma idade e sexo.
  • OBESO GRAVE (muito gordo): Se estiver + 3 desvio padrão (> percentil 99) ACIMA DA MÉDIA da população da mesma idade e sexo. Seria o equivalente à obesidade mórbida no adulto.
  • ” Ninguém precisa ser magricela, mas gordura demais só traz problemas!
  • O que está fazendo REALMENTE para mudar essa situação? Esperando os problemas aparecerem?

VOCÊ SABIA?

  1. Que as causas médicas (doenças) que podem levar à obesidade são responsáveis por menos de 2% dos casos de obesidade.
  2. Quando a criança chega aos 2-3 anos de idade, o número de células gordurosas já estão definidas até sua idade adulta.
    • Uma criança com excesso de peso pode ter  quantidade maior de células gordurosas do que uma criança com peso normal para a idade.
    • Por ter maior número de células gordurosas, essa criança terá maior dificuldade em se manter magro na vida adulta. Não espere seu filho crescer para emagrecer. A hora de cuidar é agora!

Quais os riscos de ser OBESO? Porque devo me importar?

1) PSICOLÓGICOS: seu filho sofre com os apelidos e os preconceitos na escola. Mesmo os pequeninos (maternal e jardim) demonstram preconceito!

  • Você sabe o que seu filho(a) sofre por ser gordo?
    •  Cuidado…..Ele não consegue sozinho! Ele PRECISA da sua ajuda!
  • Sinais de alerta! 
    • Não quer ir para a escola; Isolamento
    • Agressividade; Compusão alimentar (“comer para compensar o stress”),
    • depressão…..”e o problema só piora!”

2) Problemas ORTOPÉDICOS: dores nas articulações….. dificuldade de praticar esportes! ….”e o problema só piora!”

3) Doenças RESPIRATÓRIAS: crises de tosse, cansaço fácil, crises de asma…“dá-lhe corticóide!”………”e o problema só piora!”

    • Seu filho não consegue dormir direito e ronca como um adulto? Ele já pode ter APNÉIA DO SONO!

4) Doenças ENDÓCRINAS (risco maior se existir casos na família): 

    • Diabetes,
    • Resistência Insulínica, 
    • Síndrome Plurimetabólica,
    • altos níveis de colesterol e triglicerídeos.

5) Doenças CARDIOVASCULARES: Pressão alta, aumento do colesterol e risco de infarto ainda jovem…..

  • AUMENTO DA CINTURA (Circunferência Abdominal):
    • A gordura abdominal significa maior acúmulo de gordura na parte dos órgaos internos, como por exemplo o “FÍGADO GORDUROSO” (esteatose hepática). Este tipo de gordura é a mais grave, pois está associada ao risco maior de doenças do coração e diabetes.
  • O fato é que, apesar da influência genética, a obesidade é na grande maioria das vezes consequência de erros alimentares, com dietas hipercalóricas (ex. fast-food), associada ao sedentarismo (falta de atividade física).

    • As nossas crianças estão cada vez mais “preguiçosas” (só brincam em casa, e só usam os “dedinhos” – “videogames, iPhones, Tablets e computadores”).
    • Elas estão cada vez mais ansiosas (até mesmo pelo excesso de responsabilidades e deveres escolares) e compulsivas (“comem para compensar o “stress” ou “a falta do que fazer”). 
    • Enquanto isso, os pais não têm tempo ou condições de colocá-las em uma atividade esportiva e de lazer, e acabam “compensando” os filhos e a si mesmos com saídas para “pizzarias” e “fast-food” nos finais de semana. O problema só tende a se agravar.
    • As escolas não ajudam em nada, pois não oferecem esportes e atividades físicas suficientes, além de só terem lanche tipo “junk-food” (“comida-lixo”) em suas cantinas.
  • A estimativa atual é de que tenhamos 60 milhões de crianças obesas
    em todo o mundo em 2020.

    Que Futuro Têm Nossas Crianças?