Arquivo por categoria: 1.3. Hormônio de Crescimento GH: quando usar?

GH- Hormônio do Crescimento

“Nos dias atuais, ser alto parece ser um passaporte para grandes conquistas. A altura de uma pessoa tem sido associada com melhores chances de sucesso na sua vida pessoal e profissional. Como consequência, os pais encontram-se cada vez mais preocupados com a altura de seus filhos, buscando meios de torná-los mais altos e mais aptos ao sucesso”.
Muitas vezes, cria-se a falsa impressão de que os pais podem escolher a altura dos filhos. Porém, isso não é verdade, já que o aspecto genético (familiar) ainda é o fator determinante da altura final de uma pessoa.
O hormônio de crescimento ou GH (derivado do inglês,Growth Hormone), pode parecer uma fórmula mágica de fazer crescer. Entretanto, o seu uso não se aplica a todos os casos de crianças baixinhas!”

 Quando devo usar o GH?

  • Assim como outros hormônios, o GH deve ser usado como uma terapia de REPOSIÇÃO. Isso significa que ele deve ser usado para REPOR o que está faltando na pessoa, isto é, o paciente com PRODUÇÃO INSUFICIENTE de GH pelo seu organismo.
  • Isso se aplica a crianças com baixa estatura decorrente da falta de GH. No entanto, é um pouco complicado comprovar o grau de deficiência do GH, e até que ponto a criança se beneficiaria do seu tratamento.  Isso faz com que existam critérios rigorosos para sua indicação, a fim de se justificar um tratamento injetável (agulha!!!), diário (todos os dias!!!) e muito caro ($$$!!!).

Quais as características do paciente com Deficiência de GH?

  • Baixa estatura importante: pelo menos 2 desvios-padrão abaixo da média para sua idade ou abaixo da estatura-alvo (= potencial genético).
  • Baixa Velocidade de Crescimento (cresce <4 cm/ano,  na infância; ou <6cm/ano durante a puberdade)
  • Atraso importante da idade óssea
  • Pode haver episódios de hipoglicemia (mal-estar, palidez, sudorese, principalmente seguindo-se a jejum prolongado)
  • E exames laboratoriais confirmatórios da deficiência hormonal.
  • Nos casos típicos, o diagnóstico fica simplificado e o tratamento de reposição com GH devolve ao paciente a capacidade de atingir sua altura-alvo, ou seja, a altura determinada geneticamente.  Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhores os resultados.

Que exames laboratoriais confirmam a DGH?

  • Primeiramente, o pediatra e/ou o endocrinologista pediatra deve descartar qualquer outra causa de déficit de crescimento. Isso acontece principalmente em  doenças crônicas e consumptivas (ex. desnutrição grave, mal-absorção intestinal), asma e outras doenças que necessitam de tratamento com corticóide em altas doses e por longo período, doenças ósseas, síndromes genéticas, e outras.
  • São necessários pelo menos 2 TESTES DE ESTÍMULO diferentes, em que o GH não responde aos estímulos. São testes que duram em torno de 2 horas, e exige coleta de sangue várias vezes, em tempos diferentes (4-6 vezes). O seu endocrinologista lhe explicará com mais detalhes o teste a ser solicitado.

O que é um teste de GH ou teste de hormônio do crescimento?

  • Começamos medindo fatores de crescimento que trabalham em conjunto com o GH, tais como: o “fator de crescimento semelhante a insulina tipo 1”, mais conhecido como IGF‐1; e a proteína que o carrega no sangue, a IGFBP‐3. O IGF1 geralmente é baixo nas crianças com deficiência de GH, mas também sofre a influência de outras doenças e fatores diversos, tais como: o estado nutricional, idade cronológica e óssea, doenças crônicas, etc.
  • Nós produzimos GH em “PiCoS’ (“AlToS e bAiXoS”), especialmente durante a noite. Daí, não adianta ter uma medida “isolada” do GH em uma coleta simples. O TESTE usa uma medicação (ex. clonidina, insulina, glucagon, arginina) e avalia a resposta do GH nas 2 horas seguintes, através de coletas seriadas de sangue (ex. antes, 30´, 60´, 90´, 120´minutos) .
  • ATENÇÃO! Qualquer exame, incluindo os testes hormonais, pode ter resultados falsos (positivos ou negativos). O mais importante é a suspeita baseada na história e no exame físico do paciente, seguida da confirmação com outro teste com estímulo diferente. O seu médico saberá interpretá-lo e indicar ou não o tratamento.

E o que fazer no caso dos testes serem normais?

  • Apesar de todos esses cuidados, ainda existem casos de crianças muito baixas e com testes normais. Isso se chama de baixa estatura idiopática.  Pode ser frustrante para o médico e os pais, especialmente porque sabemos que os testes laboratoriais podem falhar.  Acabamos não tratando uma criança que poderia se beneficiar do GH (ex. deficiência parcial). O contrário também acontece! Muitas crianças absolutamente normais apresentam respostas de GH compatíveis com deficiência, mostrando que os métodos de análise são falhos e podem confundir sua indicação terapêutica. Nestes casos, essas crianças não precisam e não responderão ao tratamento, apesar dos testes laboratoriais.

Como é feito o tratamento com GH?

  • O tratamento com GH é bastante caro e prolongado.  A criança deve receber injeções diárias  (semelhante ao tratamento do diabético, com insulina). O tratamento é diário e o GH aplicado à noite. Além disso, deve ser feito acompanhamento médico e exames laboratoriais a cada 3 meses para avaliar o resultado do tratamento e ajuste de doses.

Por quanto tempo devo usar o GH?

  • O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível, tão cedo quanto aos 2 ou 3 anos de idade. O tratametno dura enquanto houver boa resposta ao GH, com boa velocidade de crescimento e ganho estatural. Paramos o GH quando a criança atinge idade óssea aproximada de 13-14 anos ou apresenta velocidade de crescimento muito baixa.
  • Quanto maior o tempo de tratamento, melhores os resultados na altura final. Em algusna casos, pode ser indicado continuar a terapia de reposição do GH na vida adulta, mesmo após a parada de crescimento. Isto porque o GH é um hormônio metabólico que favorece não apenas o crescimento, como pode interferir de forma positiva na função de outros órgãos do nosso corpo. 

 

Existem outras indicações para uso do GH além da DGH?  Sim. Nestes casos, está comprovado que o tratamento com GH, às vezes em doses um pouco maiores que na DGH, resultam em aumento na estatura final do paciente. As indicalões são:

  • Síndrome de Turner (Incluso pelo governo brasileiro entre as indicações de GH):síndrome genética que acontece apenas em meninas, decorrente da falta de um dos cromossomos sexuais. Elas têm um quadro clínico bem característico, com baixa estatura importante;
  • Insuficiência renal crônica: (não incluso pelo governo brasileiro entre as indicações de GH). O uso de GH na insuficiência renal pode melhorar e muito não apenas a altura, mas o metabolismo dessas crianças;
  • Crescimento Intra-uterino Retardado (não incluso pelo governo brasileiro entre as  indicações de GH): Situação decorrente de desnutrição fetal, em que o bebê nasce pequeno para a idade gestacional (baixo peso ou comprimento). Na maioria dos casos, ocorre uma recuperação espontânea  (“catch-up”) no crescimento dessas crianças até os 2 ou 3 anos de idade. Porém, nos casos de não ocorrer esse “catch-up”, essas crianças se beneficiam com o tratamento com GH;
  • Síndrome de Prader-Willi (não incluso pelo governo brasileiro entre as indicações de GH): Síndrome genética, que se apresenta como uma doença neuro-endócrina e comportamental (fome compulsiva). Na maioria das vezes, a SPW é diagnosticada apenas quando se inicia obesidade importante.  Estes pacientes se beneficiam com GH pelo seu efeito no crescimento, mas principalmente por ser um hormônio anabólico, aumentando a massa magra (muscular) em relação à gordura corporal, melhorando a função cardíaca e o tônus muscular.

Outras situações, menos definidas, podem se beneficiar do uso de GH. No entanto, apenas alguns países usam GH nestes casos como indicação absoluta. São elas:

  • Baixa estatura idiopática (crianças baixas, saudáveis, muito abaixo do potencial genético, com baixa velocidade de crescimento, porém com testes laboratoriais normais). Uso aprovado nos Estados Unidos, mas não no Brasil e outros países;

 Quando o Pediatra deve encaminhar o paciente ao especialista?

  • É importante ressaltar que o pediatra que segue uma criança tem total condição de detectar desvios no crescimento,  principalmente através dos gráficos de crescimento e da velocidade de crescimento esperada para a idade. Além disso, o pediatra do seu filho está apto a descartar causas importantes dos desvios de crescimento, e tratá-las.
  • O encaminhamento ao endocrinologista pediátrico acaba sendo uma conseqüência natural, já que o tratamento com GH exige que o profissional esteja habituado com a medicação e saiba corretamente avaliar seus resultados.  O trabalho em cooperação com o pediatra geral é essencial para o diagnóstico e tratamento precoce das crianças que precisam do GH.

Tenho 16 anos e gostaria de ganhar mais alguns centímetros. É possível fazer o uso de hormônio do crescimento para ficar mais alto?

  • Após a puberdade, o ganho de altura, mesmo com tratamento, não é expressivo. Isto porque as cartilagens de crescimento já estão quase desaparecendo. O ideal é consultar um endocrinologista para avaliar seus exames e estimar o quanto ainda pode haver de ganho de altura, e quais as possiblidades de tratamento.

Existe algum outro método para crescer após adolescência? Alguma pesquisa em andamento?

  • Existe uma técnica cirúrgica de alongamento ósseo de membros (técnica de Ilizarov). São usados aparelhos de fixação externa para alongamento ósseo. Basicamente, quebra-se o osso e “afasta as pontas”, fixa com parafusos e vai afastando gradualmente. Faz-se uso de cirurgia e fisioterapia constante pelo período mínimo de 1 ano. A dor é freqüente e intensa, além do risco de infecção da cirurgia.
  • Este tipo de procedimento é mais utilizado em quem tem desproporção entre os membros e alguns casos extremos de nanismo. Eu não recomendaria em uma pessoa normal. Altura é importante, mas alguns centímetros a mais não justificam esse método para uma pessoa saudável.