Categoria: 1. Crescimento

Manual de Contagem de Carboidratos

Contagem de CHO- SBD;

Contagem de CHO-ICrD;

 

Vitamina D e Cálcio

A vitamina D é na verdade um hormônio, e está vinculada a várias funções de outros órgãos do nosso corpo, além da absorção de cácio e formação óssea. Uma taxa de vitamina D abaixo do ideal em crianças e adolescentes pode comprometer a saúde óssea, o crescimento e o desenvolvimento deles, com repercussões que podem se manifestar ao longo da vida.

  • Regula os níveis de cálcio e fósforo no organismo promovendo sua absorção dos alimentos nos intestinos e a reabsorção de cálcio nos rins.
  • Promove a formação óssea e mineralização, sendo essencial para um esqueleto forte. Porém, em níveis muito altos, promove a reabsorção dos ossos.
  • Afeta o SISTEMA IMUNOLÓGICOpromovendo a imunossupressão, fagocitose e atividade anti-tumor.

Deficiência de Vitamina D:

  • em crianças é o RAQUITISMO, doença que deixa ossos fracos, deformados e provoca déficit de crescimento.
  • Vitamina D insuficiente também pode estar associada a um maior risco de doenças, tais como: doenças auto-imunes (diabetes tipo 1, artrite reumatóide e esclerose múltipla), hipertensão arterial, deficiência imunológica, alguns tipos de câncer na vida adulta (câncer de mama, próstata e cólon), esclerose múltipla, depressão e esquizofrenia.

PRODUÇÃO DE VITAMINA D:

Apenas10 a 20% da vitamina D em nosso corpo provêm da dieta (peixes gordurosos de água fria e profunda, como o salmão, atum, e os fungos comestíveis), sendo o restante sintetizado pelo próprio indivíduo na pele, através da luz solar.

  • É fundamental uma adequada exposição solar, pela ação dos raios ultravioleta B sobre a nossa pele.
  • Apesar do Brasil ser um país tropical, com incidência solar alta e estável ao longo de todo o ano, uma parte significativa da população, inclusive da faixa etária pediátrica, apresenta níveis insuficientes de vitamina D.
FONTES NATURAIS de Vitamina D:
  • Óleos de fígado de peixe e os peixes de água salgada, tais como as sardinhas, o arenque, o salmão e a sarda.
  • Os ovos, a carne, o leite e a manteiga também contêm pequenas quantidades.
    • A quantidade de vitamina D no leite humano é insuficiente para cobrir as necessidades infantis após o sexto mês de vida. Daí, a necessidade de suplemento no lactente (6meses-2anos).
  • As plantas são fontes fracas e a fruta e os frutos secos não têm qualquer vitamina D.
  • A soja fornece uma maior quantidade de vit D à base de plantas, particularmente o tofu e leite de soja. Cereais enriquecidos e aveia também são fontes da vitamina D adicionais.
CAUSA DE DEFICIÊNCIA DE VITAMINA D:
  • Baixa exposição ao sol;
  • Uso indiscrimnado de protetores solares, que bloqueiam a síntese cutânea da vitamina D.
    • É reconhecida a importância dos cuidados que devemos ter com a exposição ao sol, evitando insolação, envelhecimento precoce e câncer de pele.
  • Uso de medicamentos que inibem a ação da vit D:
    • A COLESTIRAMINA (uma resina utilizada para parar a reabsorção dos sais biliares)
    • LAXATIVOS baseados em óleos minerais inibem a absorção da vitamina D a partir do intestino.
    • CORTICOSTERÓIDES, os medicamentos ANTICONVULSIVANTES e o álcoolpodem afectar a absorção do cálcio, reduzindo a resposta à vitamina D.
      • Os estudos em animais também sugerem que os medicamentos anticonvulsivos estimulam as enzimas do fígado, resultando num aumento da decomposição e excreção da vitamina.
DIAGNÓSTICO (dosagem da 25-OH- VITAMINA D no sangue):

Atenção para as crianças e adolescentes que apresentem algum fator de risco:

  • As crianças com pouca ou nenhuma exposição ao sol;
  • Idosos e pessoas de pele negra produzir menor quantidade de vitamina D do que as de pele mais clara;
  • Crianças que usam medicamentos que podem comprometer a síntese de vitamina D, como glicocorticóides, imunossupressores e anticonvulsivantes;
  • Crianças que apresentam doenças auto-imunes, como o diabetes tipo 1, lupus, artrite juvenil idiopática e doença celíaca;
  • Crianças que foram submetidas a transplante de algum órgão, pois em geral fazem uso de imunossupressores ou tem contra indicação de exposição ao sol pelo risco de desenvolverem melanoma;
  • Crianças com insuficiência renal crônica, doenças no fígado ou com infecções de repetição.
TRATAMENTO:

De acordo com o nível e a causa de insuficiência que a criança apresente, deve-se avaliar a melhor maneira de corrigi-la, seja com uma melhor exposição ao sol, ou  tratamento com reposição da vitamina D.

  • A vitamina D como medicamento existe na forma pura ou combinada com a vitamina A. Cada formulação apresenta uma concentração diferente.  A dose e o tempo de tratamento são específicas para cada caso, assim como o momento de fazer a reavaliação para conferir se os níveis se normalizaram.

ATENÇÃO! Excesso de Vitamina D pode causar sérios prejuízos à saúde do seu filho! Use sob a orientação de seu pediatra. 

  • Se não existir deficiência da vitamina em seu corpo, não adianta dar vitamina D para favorecer o crescimento.
  • A fonte mais segura da vitamina D continua sendo a exposição diária da pele à luz solar, permitindo que o organismo faça a sua própria síntese. Nesse caso, ela nunca é produzida em excesso.
    • Além de ser mais seguro do que os suplementos, esse hábito traz ainda outros benefícios à saúde do corpo e da mente.
  • Riscos e Sintomas de “OVERDOSE” de Vitamina D:
    • Intoxicação por vitamina D pode causar:
      • pressão alta, perda de apetite, náusea e vômito, fraqueza, prisão de ventre e irritabilidade
      • Esses sintomas geralmente são seguidos por produção excessiva de urina, sede elevada, e eventualmente insuficiência renal.
      • Pode causar danos permanentes nos rins, retardo de crescimento, calcificação de tecidos moles e até morte. São resultado da HIPERCALCEMIA (nível elevado de cálcio no sangue) causada pelo aumento da absorção de cálcio pelo intestino.
    • O tratamento para intoxicação por vitamina D inclui descontinuar a suplementação vitamínica, beber bastante água e diminuir a ingestão de cálcio.

Em 2011, a The Endocrine Society disponibilizou suas diretrizes sobre tratamento e prevenção da deficiência de vitamina D, contemplando também a faixa etária pediátrica (clique aqui).

Alta Estatura

“Não quero ficar muito alta(o)!” 

Sim, existem os “ALTINHOS” que não estão satisfeitos! É muito comum que mães altas não queiram que as suas filhas passem pelas “dificuldades” que elas passaram.
São muitos os motivos: “Vão me chamar de girafa! Não vou conseguir namorado! Não vou poder usar sapato alto?Acho feio ou pouco feminino!”.
No entanto, a sociedade mudou e junto com ela os padrões de beleza e “normalidade”. A população atual é bem mais alta que a dos nossos pais e avós, e ser alto é na maioria das vezes uma vantagem. 

O que é ALTA estatura?

  • Alta estatura é definida quando a altura é mais de 2 desvios-padrão (acima do percentil 95) de altura para a média das crianças da mesma idade e do mesmo sexo, ou em relação à estatura alvo (familiar).
  • Crescimento excessivo significa aceleração rápida na velocidade de crescimento em relação à idade e ao estágio puberal. Seria normal crescer 10-15 cm em um ano se você tem 1 ano de idade, mas isso seria exagerado se você tiver 4 anos de idade, quando o normal seria crescer 5-7 cm por ano. O aumento súbito no ritmo de crescimento em um período inesperado deve ser sempre investigado. O seu pediatra deve ficar atento à curva de crescimento da criança.

Quando eu sei que a criança está crescendo muito?

  • Quando a velocidade de crescimento está sempre acima da média. Isso fará com que seu filho esteja sempre subindo para novos percentis no gráfico de crescimento. Algumas situações é normal ter uma “recuperação” ou “catch-up” do crescimento, mas a partir de então o normal é manter o ritmo de crescimento normal para a idade.

Qual é  o problema de ser alto?

  • Nenhum, se tudo estiver normal!! No entanto, algumas crianças se incomodam ao dizerem que parecem mais “velha”. Apesar de serem altas, o seu desenvolvimento mental e psicológico é de uma criança da sua idade!
  • Algumas crianças adquirem vício de postura e problemas de coluna, por tentarem parecer mais baixas. Alguns adolescentes podem achar que ser alto interferirá na profissão que escolherem, ou trará dificuldades na sua vida pessoal (ex. namorar e casar).
  • Mas vale lembrar que as nossas escolhas mudam com o tempo e a situação. Ser alto pode parecer um problema hoje, e ser vantajoso no futuro. A decisão de fazer qualquer tratamento deve ser muito bem pensada, pois não tem como voltar atrás.

Crescer demais pode ser sinal de algum problema de saúde?

  • Sim. O crescimento exagerado pode representar um problema de saúde sério. Neste caso, a causa da alta estatura deve ser investigada e tratada, se necessário.
  • Existem doenças hormonais e genéticas sérias que causam crescimento exagerado, e podem precisar de tratamento imediato.

O que causa a ALTA ESTATURA?

  • Felizmente, as causas mais comuns são as causas “variantes do NORMAL”.
  • ALTA ESTATURA “CONSTITUCIONAL”_ é da própria constituição da criança ser alta, em geral por ter pais altos.
  • OBESIDADE….crianças com sobrepeso em geral são altas para a idade. Isto porque nutrição em excesso favorece o crescimento, temporariamente, mas também acelera a maturação óssea (idade óssea) e pode acelerar o início da puberdade.
    Daí, o fato de ser alto hoje, não significa que a criança será um adulto alto. É temporário, pois ela também pára de crescer mais cedo e vai ficar com a altura “geneticamente programada“.
  • SÍNDROMES GENÉTICAS: algumas síndromes genéticas cursam com alta estatura e avanço de idade óssea. Em geral não existem doenças hormonais nestes casos, mas algumas síndromes tem outras complicaçoes graves que devem ser tratadas. Converse com o seu endocrinologista. Se necessário, ele solicitará avaliação de um geneticista e outros especialistas.
    Exemplos de síndromes: Beckwith-Wiedemann, Simpson-Golabi-Behmel, Bannayan-Riley-Ruvalcaba, Weaver, Sotos, Klinefelter, três X, X-frágil, Homocistinúria, Marfan, Loeys-Dietz e Lujan-Fryns.
  • PROBLEMAS HORMONAIS: O excesso de alguns hormônios, além de acelerar o crescimento, causam vários outros sintomas prejudiciais à saúde da criança.
    – GIGANTISMO (tumor produz excesso de GH)
    – Hipertireoidismo (excesso de hormônios da tireóide)
    – Puberdade Precoce (excesso de hormônios da puberdade)

Existe tratamento para PARAR DE CRESCER, mesmo que a alta estatura seja uma variante do normal?

  • Sim. É possível evitar que a criança fique muito alta, mas nem sempre o tratamento é recomendável. Uma decisão agora pode ser questionada no futuro pelo seu filho ou filha.
  • A indicação de tratamento fica restrita aos casos em que a altura final predita é acima de 2,5 DP do esperado (180cm nas meninas, e 195cm nos meninos).
  • A recomendação é de que seja feita uma avaliação médica antes da criança iniciar a puberdade. Isto porque durante a puberdade a criança cresce mais ainda (estirão puberal) e sobrará menos tempo para interferir no crescimento.
  • O resultado do tratamento depende da maturação óssea no início do tratamento. Se uma adolescente já tem 175cm antes de iniciar o tratamento, ela ainda pode chegar a 185cm ao final do tratamento. Nada reconfortante para quem não quer ser alta!

Quais os tipos de tratamento para parar de crescer?

  • HORMONAL: o uso hormônios da puberdade (estradiol / testosterona) na tentativa de iniciar ou “acelerar” a puberdade e a maturação óssea, diminuindo o período que a criança tem para crescer.
    Isto pode resultar em alguns centímetros a menos do que o previsto, mas é muito variável, com menor resultado nos meninos. No entanto, existem efeitos colaterais que devem ser considerados.
    Atualmente, alguns estudos mostram que o uso de estrogenio (dose-dependente) reduzem a fertilidade ou aumentam o risco de falência ovariana nas mulheres tratadas.
  • CIRÚRGICO: a cirurgia EPIFISIODESE consiste em destruir a placa de crescimento (cartilagem epifisária) do fêmur distal e tibial/fibula proximal, em ambas as pernas. É um procedimento seguro e simples, mas invasivo, e também tem alguns efeitos colaterais que devem ser considerados. Converse com o seu médico, endocrinologista pediatra e ortopedista.

GH- Hormônio do Crescimento

“Nos dias atuais, ser alto parece ser um passaporte para grandes conquistas. A altura de uma pessoa tem sido associada com melhores chances de sucesso na sua vida pessoal e profissional. Como consequência, os pais encontram-se cada vez mais preocupados com a altura de seus filhos, buscando meios de torná-los mais altos e mais aptos ao sucesso”.
Muitas vezes, cria-se a falsa impressão de que os pais podem escolher a altura dos filhos. Porém, isso não é verdade, já que o aspecto genético (familiar) ainda é o fator determinante da altura final de uma pessoa.
O hormônio de crescimento ou GH (derivado do inglês,Growth Hormone), pode parecer uma fórmula mágica de fazer crescer. Entretanto, o seu uso não se aplica a todos os casos de crianças baixinhas!”

 Quando devo usar o GH?

  • Assim como outros hormônios, o GH deve ser usado como uma terapia de REPOSIÇÃO. Isso significa que ele deve ser usado para REPOR o que está faltando na pessoa, isto é, o paciente com PRODUÇÃO INSUFICIENTE de GH pelo seu organismo.
  • Isso se aplica a crianças com baixa estatura decorrente da falta de GH. No entanto, é um pouco complicado comprovar o grau de deficiência do GH, e até que ponto a criança se beneficiaria do seu tratamento.  Isso faz com que existam critérios rigorosos para sua indicação, a fim de se justificar um tratamento injetável (agulha!!!), diário (todos os dias!!!) e muito caro ($$$!!!).

Quais as características do paciente com Deficiência de GH?

  • Baixa estatura importante: pelo menos 2 desvios-padrão abaixo da média para sua idade ou abaixo da estatura-alvo (= potencial genético).
  • Baixa Velocidade de Crescimento (cresce <4 cm/ano,  na infância; ou <6cm/ano durante a puberdade)
  • Atraso importante da idade óssea
  • Pode haver episódios de hipoglicemia (mal-estar, palidez, sudorese, principalmente seguindo-se a jejum prolongado)
  • E exames laboratoriais confirmatórios da deficiência hormonal.
  • Nos casos típicos, o diagnóstico fica simplificado e o tratamento de reposição com GH devolve ao paciente a capacidade de atingir sua altura-alvo, ou seja, a altura determinada geneticamente.  Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, melhores os resultados.

Que exames laboratoriais confirmam a DGH?

  • Primeiramente, o pediatra e/ou o endocrinologista pediatra deve descartar qualquer outra causa de déficit de crescimento. Isso acontece principalmente em  doenças crônicas e consumptivas (ex. desnutrição grave, mal-absorção intestinal), asma e outras doenças que necessitam de tratamento com corticóide em altas doses e por longo período, doenças ósseas, síndromes genéticas, e outras.
  • São necessários pelo menos 2 TESTES DE ESTÍMULO diferentes, em que o GH não responde aos estímulos. São testes que duram em torno de 2 horas, e exige coleta de sangue várias vezes, em tempos diferentes (4-6 vezes). O seu endocrinologista lhe explicará com mais detalhes o teste a ser solicitado.

O que é um teste de GH ou teste de hormônio do crescimento?

  • Começamos medindo fatores de crescimento que trabalham em conjunto com o GH, tais como: o “fator de crescimento semelhante a insulina tipo 1”, mais conhecido como IGF‐1; e a proteína que o carrega no sangue, a IGFBP‐3. O IGF1 geralmente é baixo nas crianças com deficiência de GH, mas também sofre a influência de outras doenças e fatores diversos, tais como: o estado nutricional, idade cronológica e óssea, doenças crônicas, etc.
  • Nós produzimos GH em “PiCoS’ (“AlToS e bAiXoS”), especialmente durante a noite. Daí, não adianta ter uma medida “isolada” do GH em uma coleta simples. O TESTE usa uma medicação (ex. clonidina, insulina, glucagon, arginina) e avalia a resposta do GH nas 2 horas seguintes, através de coletas seriadas de sangue (ex. antes, 30´, 60´, 90´, 120´minutos) .
  • ATENÇÃO! Qualquer exame, incluindo os testes hormonais, pode ter resultados falsos (positivos ou negativos). O mais importante é a suspeita baseada na história e no exame físico do paciente, seguida da confirmação com outro teste com estímulo diferente. O seu médico saberá interpretá-lo e indicar ou não o tratamento.

E o que fazer no caso dos testes serem normais?

  • Apesar de todos esses cuidados, ainda existem casos de crianças muito baixas e com testes normais. Isso se chama de baixa estatura idiopática.  Pode ser frustrante para o médico e os pais, especialmente porque sabemos que os testes laboratoriais podem falhar.  Acabamos não tratando uma criança que poderia se beneficiar do GH (ex. deficiência parcial). O contrário também acontece! Muitas crianças absolutamente normais apresentam respostas de GH compatíveis com deficiência, mostrando que os métodos de análise são falhos e podem confundir sua indicação terapêutica. Nestes casos, essas crianças não precisam e não responderão ao tratamento, apesar dos testes laboratoriais.

Como é feito o tratamento com GH?

  • O tratamento com GH é bastante caro e prolongado.  A criança deve receber injeções diárias  (semelhante ao tratamento do diabético, com insulina). O tratamento é diário e o GH aplicado à noite. Além disso, deve ser feito acompanhamento médico e exames laboratoriais a cada 3 meses para avaliar o resultado do tratamento e ajuste de doses.

Por quanto tempo devo usar o GH?

  • O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível, tão cedo quanto aos 2 ou 3 anos de idade. O tratametno dura enquanto houver boa resposta ao GH, com boa velocidade de crescimento e ganho estatural. Paramos o GH quando a criança atinge idade óssea aproximada de 13-14 anos ou apresenta velocidade de crescimento muito baixa.
  • Quanto maior o tempo de tratamento, melhores os resultados na altura final. Em algusna casos, pode ser indicado continuar a terapia de reposição do GH na vida adulta, mesmo após a parada de crescimento. Isto porque o GH é um hormônio metabólico que favorece não apenas o crescimento, como pode interferir de forma positiva na função de outros órgãos do nosso corpo. 

 

Existem outras indicações para uso do GH além da DGH?  Sim. Nestes casos, está comprovado que o tratamento com GH, às vezes em doses um pouco maiores que na DGH, resultam em aumento na estatura final do paciente. As indicalões são:

  • Síndrome de Turner (Incluso pelo governo brasileiro entre as indicações de GH):síndrome genética que acontece apenas em meninas, decorrente da falta de um dos cromossomos sexuais. Elas têm um quadro clínico bem característico, com baixa estatura importante;
  • Insuficiência renal crônica: (não incluso pelo governo brasileiro entre as indicações de GH). O uso de GH na insuficiência renal pode melhorar e muito não apenas a altura, mas o metabolismo dessas crianças;
  • Crescimento Intra-uterino Retardado (não incluso pelo governo brasileiro entre as  indicações de GH): Situação decorrente de desnutrição fetal, em que o bebê nasce pequeno para a idade gestacional (baixo peso ou comprimento). Na maioria dos casos, ocorre uma recuperação espontânea  (“catch-up”) no crescimento dessas crianças até os 2 ou 3 anos de idade. Porém, nos casos de não ocorrer esse “catch-up”, essas crianças se beneficiam com o tratamento com GH;
  • Síndrome de Prader-Willi (não incluso pelo governo brasileiro entre as indicações de GH): Síndrome genética, que se apresenta como uma doença neuro-endócrina e comportamental (fome compulsiva). Na maioria das vezes, a SPW é diagnosticada apenas quando se inicia obesidade importante.  Estes pacientes se beneficiam com GH pelo seu efeito no crescimento, mas principalmente por ser um hormônio anabólico, aumentando a massa magra (muscular) em relação à gordura corporal, melhorando a função cardíaca e o tônus muscular.

Outras situações, menos definidas, podem se beneficiar do uso de GH. No entanto, apenas alguns países usam GH nestes casos como indicação absoluta. São elas:

  • Baixa estatura idiopática (crianças baixas, saudáveis, muito abaixo do potencial genético, com baixa velocidade de crescimento, porém com testes laboratoriais normais). Uso aprovado nos Estados Unidos, mas não no Brasil e outros países;

 Quando o Pediatra deve encaminhar o paciente ao especialista?

  • É importante ressaltar que o pediatra que segue uma criança tem total condição de detectar desvios no crescimento,  principalmente através dos gráficos de crescimento e da velocidade de crescimento esperada para a idade. Além disso, o pediatra do seu filho está apto a descartar causas importantes dos desvios de crescimento, e tratá-las.
  • O encaminhamento ao endocrinologista pediátrico acaba sendo uma conseqüência natural, já que o tratamento com GH exige que o profissional esteja habituado com a medicação e saiba corretamente avaliar seus resultados.  O trabalho em cooperação com o pediatra geral é essencial para o diagnóstico e tratamento precoce das crianças que precisam do GH.

Tenho 16 anos e gostaria de ganhar mais alguns centímetros. É possível fazer o uso de hormônio do crescimento para ficar mais alto?

  • Após a puberdade, o ganho de altura, mesmo com tratamento, não é expressivo. Isto porque as cartilagens de crescimento já estão quase desaparecendo. O ideal é consultar um endocrinologista para avaliar seus exames e estimar o quanto ainda pode haver de ganho de altura, e quais as possiblidades de tratamento.

Existe algum outro método para crescer após adolescência? Alguma pesquisa em andamento?

  • Existe uma técnica cirúrgica de alongamento ósseo de membros (técnica de Ilizarov). São usados aparelhos de fixação externa para alongamento ósseo. Basicamente, quebra-se o osso e “afasta as pontas”, fixa com parafusos e vai afastando gradualmente. Faz-se uso de cirurgia e fisioterapia constante pelo período mínimo de 1 ano. A dor é freqüente e intensa, além do risco de infecção da cirurgia.
  • Este tipo de procedimento é mais utilizado em quem tem desproporção entre os membros e alguns casos extremos de nanismo. Eu não recomendaria em uma pessoa normal. Altura é importante, mas alguns centímetros a mais não justificam esse método para uma pessoa saudável.

Baixa Estatura

“Sempre haverá “baixinhos e altinhos”, senão não existiria as pessoas de altura mediana!”

  • Um dos maiores desafios para o pediatra é a criança ou adolescente que evolui com altura e velocidade de crescimento abaixo do esperado para a idade. Para os pais, uma das formas de se identificar problemas no crescimento é observar quando as roupas e sapatos de uma criança estão durando anos, ou quando ela se torna a mais baixinha da turma da escola. Esses são índices importantes que devem estimular os pais a procurar um médico endocrinologista.
Meu filho tem 6 anos e é o menor da classe. É possível fazê-lo crescer mais?
  • A chave para caracterizar a baixa estatura consiste em medidas seriadas da estatura da criança.O pediatra deve investigar e tratar doenças gerais que possam comprometer o crescimento, e referir os pacientes ao endocrinologista pediatra. Cada caso é um caso, e o médico indicado para avaliação hormonal é o endocrinologista pediátrico. São necessários exames gerais, de imagem e laboratoriais, a fim de excluir algumas doenças, e avaliar se a criança tem deficiência de GH (hormônio de crescimento).

“Qualquer desaceleração ou parada do crescimento representa um sinal de alerta.

SINAIS DE ALERTA >>>> Procure o Endocrinologista Pediatra:

  • Altura: crescimento abaixo do 3o. percentile (p3) ou 2 desvios-padrão abaixo do esperado para a idade e sexo do paciente.
  • Velocidade de Crescimento: baixa ou em desaceleração.
  • Potencial Genético*: altura está mais de 5cm abaixo da altura-alvo.
  • Características sindrômicas ou dismórficas sugestivas de doenças hormonais.
  • Idade Óssea: atrasada mais de 2 anos em relaçao à idade cronológica.

O que significa Idade Óssea?

  • A idade óssea é avaliada através do RX da mão e dos punhos, e serve para indicar o grau de amadurecimento dos ossos, podendo ser diferente da idade cronológica (idade da criança).

É ruim ter idade óssea atrasada ou avançada?

  • A idade óssea reflete a idade biológica da criança, e é normal está um pouco atrasada ou avançada (até 2 anos), desde que sejam avaliados outros fatores que interferem na mesma. Entre eles, podemos citar hormônios da puberdade, doenças hormonais (Ex. tireóide) e doenças crônicas (ex: desnutriçao, asma, etc.). Se você tem baixa estatura, o atraso na IO pode indicar a possibilidade de recuperação do seu potencial de crescimento.

O uso de corticóde prejudica o crescimento?

  • Sim. O uso excessivo e prolongado de corticóides atua diretamente na cartilagem de crescimento, diminuindo sua capacidade de proliferação e formação óssea. Além disso, pode causar osteoporose e outras complicações graves para a saúde da criança.
  • Crianças com história de alergias e outras doenças que podem precisar de tratamento com corticóide (ex. prelone, predsim, prednisona, dexametasona, etc) devem ser acompanhadas por especialista (alergista-pneumologista-reumatologista-dermatologista), preferencialmente pediatra, a fim de tentar tratamentos preventivos para evitar crises e diminuir ao máximo a necessidade de corticóide.

QUAIS SÃO AS CAUSAS DE BAIXA ESTATURA? 
1) Existem Variantes do Normal: Quando ser baixinho é normal!

  • Baixa Estatura Familiar: filhos de pais baixos, com velocidade de crescimento normal e idade óssea compatível com a idade cronológica. Essas crianças iniciam a puberdade no período normal e completam o crescimento com uma altura consistente com sua altura-alvo (potencial genético).
  • Atraso Constitucional do Crescimento e Puberdade: termo usado para descrever uma criança pequena para a idade e com velocidade de crescimento normal. Elas apresentam atraso na idade óssea, e previsão de estatura final adequada para o seu potencial genético. Tipicamente evoluem com atraso no início puberal, o que evidencia mais ainda a diferença com os colegas da mesma idade e com desenvolvimento puberal adequado para idade. É comum casos na família de pai ou tios que tiveram atraso puberal. Por exemplo, “a mãe só teve menarca aos 15 anos; ou o pai só “cresceu” depois dos 15-16 anos”.

2) Doenças Não-Hormonais: nestes casos, o tratamento deve ser da doença de base, e apenas em casos específicos (ex: insuficiência renal crônica), a criança pode se beneficiar do tratamento com GH.

  • Desnutrição crônica, raquitismo, doenças crônicas e consumptivas tais como: doenças respiratórias, insuficiência renal, anemia falciforme grave, infecções de repetição, entre outras.
  • Doenças mal-absortivas (ex. doença celíaca), doenças inflamatórias que requerem o uso crônico de corticóides (Ex. asma, lúpus, artrite reumatóide juvenil, etc.).

3) Causas Hormonais:

  • Deficiência do hormônio de crescimento (DGH)
  • Hipotireoidismo (deficiência dos hormônios tireoideanos)
  • Atraso puberal (hipogonadismo)
  • Puberdade Precoce (parada precoce do crescimento)
  • Hipercortisolismo (excesso de corticoide): doença de Cushing, uso prolongado e em altas doses de corticóides.

4) Algumas Síndromes Genéticas:

  • Síndromes de Down, de Turner,  de Prader-Willi, Silver-Russel, de Noonan, acondroplasia e outras displasias ósseas.

5) Baixa Estatura Idiopática:

  • é quando não existe doença e não descobrimos a causa da baixa estatura. São crianças com estatura abaixo do esperado, previsão de estatura final abaixo da estatura-alvo, porém com todos os exames normais e sem causa/ doença aparente.
  • Nos Estados Unidos, esta é uma das indicações de uso do GH. Embora em doses maiores, algumas crianças mostram ganho em altura com GH. No entanto, essa indicação é discutível e não-aprovada em vários outros países, inclusive no Brasil.

QUANDO USAR O GH PARA CRESCER? (click aqui)

Crescimento Normal

“Se crescêssemos sempre com a mesma intensidade durante toda a vida, o mundo seria de gigantes!”

O período de maior crescimento da criança começa ainda na gravidez (crescimento fetal), e qualquer atraso no crescimento do feto pode resultar em um recém-nascido com baixo peso e/ou comprimento (Crescimento Intrauterino Retardado). Isto pode ser compensado nos primeiros 2-3 anos de vida (período de “catch-up” ou “recuperação”); ou pode trazer repercussão por toda a vida da criança, com alterações metabólicas e baixa estatura final.

Em geral, por volta dos 2-3 anos de idade, a maioria das crianças mudam seu canal de crescimento (para cima ou para baixo) em direção ao canal de crescimento geneticamente determinados (pais altos ou baixos). A partir de então, o crescimento ocorre gradualmente, mantendo o mesmo percentil na curva de crescimento, até o início da puberdade. Vários fatores são determinantes para o crescimento normal e adequado. Além dos hormônios, fatores genéticos,  boa alimentação e a prática de esportes ajudam a determinar a altura final de uma criança. O pediatra deve acompanhar o crescimento do seu filho desde o nascimento, até o final da adolescência ( 0- 19 anos).

O crescimento apresenta fases diferentes de acordo com a idade?

  • Sim. A criança pode crescer até 25 cm no primeiro ano de vida, seguida de uma desaceleração gradual desde o seu nascimento, com estabilização após os 3 anos de idade. A média de crescimento após essa idade é de 4-7 cm/ano. Quando o crescimento é menor que 4 cm/ano durante a infância, ou menor que 6 cm/ano na fase da puberdade, o ideal é que um especialista seja consultado. O crescimento volta a “acelerar” e atinge seu pico durante a puberdade, quando o adolescente cresce uma média de 8-10cm/ano. Este período é chamado de Estirão Puberal. “Acompanhe sempre o gráfico de crescimento do seu filho.”

O que é Gráfico ou Curva de Crescimento?

  • Toda população tem uma estatura média, que é considerada padrão (mediana), e por isso usamos os gráficos de crescimento. Antes, usávamos o gráfico de referência da população dos Estados Unidos. Recentemente, passamos a usar o gráfico da Organização Mundial de Saúde (OMS), que inclui países de 5 continentes diferentes, inclusive o Brasil.
  • Quando a criança está com altura muito abaixo da média da população ou com velocidade de crescimento insatisfatória para sua idade, o pediatra irá iniciar uma investigação para descobrir a causa. Mas atenção para um fator muito importante a ser considerado, o potencial genético de cada paciente. Sempre haverá crianças mais altas ou mais baixas em qualquer população, de acordo com o seu potencial genético. O seu filho pode ter uma baixa estatura familiar (pais baixos), e ficar na parte inferior do gráfico de crescimente, e ainda assim, ser normal.

” Sabe aquele ditado: “Filho de peixe, peixinho é”? Ele tem um fundo de verdade, mas não significa que não devemos investigar a causa da baixa estatura do seu filho.

O que é Potencial Genético? Posso ser alto mesmo se os meus pais forem baixinhos?

  • Épossível fazer uma previsão de altura final considerando a altura do pai e da mãe (veja TABELA1), pois a altura resulta da combinação de vários genes transmitidos pelos pais_ entre eles os genes que favorecem a alta ou a baixa estatura. É possível sim que os filhos fiquem maiores do que o previsto. Porém, as chances são maiores dos filhos se parecerecerem mais com os pais do que com parentes mais distantes. Entre indivíduos da mesma família, as semelhanças são a regra e as diferenças constituem exceção.

Tabela 1: Cálculo da Média de Altura dos Pais (Estatura Alvo):

 Estatura Alvo
MENINOS: [(altura do pai + altura da mãe) / 2]  + 6,5cm
MENINAS: [(altura do pai + altura da mãe)] / 2]  6,5cm
Exemplo:Cálculo da Estatura Alvo de um garoto e uma garotinha, cuja altura dos pais são: PAI= 173 cm e MÃE = 158 cm
Filho: = 172 cm
Filha:  = 159 cm

Então, porque se diz que nos dias atuais as crianças crescem mais e sempre ficam mais altas do que os pais?

  • Sim, as últimas gerações têm tido altura maior do que seus pais e avós. O motivo principal disso foram as melhores condições de saúde e alimentação ao longo dos anos. As crianças de hoje são mais bem nutridas
    e têm melhores condições de higiene, adoecem menos e praticam esportes regularmente.
  • Isso fez com que as novas gerações atingissem o seu potencial genético máximo e ficassem cada vez mais altas. Chamamos isso de “Tendência Secular”, e aconteceu no mundo inteiro.
  • No entanto, isto já está se estabilizando, pois muitas populações já têm excelentes condições de vida. Do contrário, acabaríamos uma população de gigantes!

E Porque Paramos de Crescer?  

  • O crescimento acontece por causa da Cartilagem de Crescimento, uma pequena cartilagem que se localiza no final dos ossos longos (ex. braços e pernas) e vai sendo substituída por osso à medida que crescemos. 
  • Apenas quando a cartilagem de crescimento se fecha/ ou desaparece é que paramos de crescer. Isso costuma acontecer ao final da adolescência (17-19 anos). Entretanto, pode haver variação na idade final de crescimento, em função do começo precoce ou tardio da puberdade. Daí a importância do exame de Idade Óssea que o seu pediatra sempre solicita.

Que hormônios controlam o nosso crescimento?

  • O hormônio de crescimento (GH) é um dos principais hormônios responsáveis pela altura do indivíduo e é naturalmente produzido pelo seu corpo e liberado principalmente à noite, durante o sono. O hormônio da tireóide e os hormônios sexuais (estrogênio e testosterona), liberados durante a puberdade, também são importantes para o crescimento.
  • Quando em níveis muito baixos (hipotireoidismo) ou se produzidos fora da época certa (ex. Puberdade precoce), esses hormônios podem atrapalhar o crescimento e resultar em adultos muito baixinhos. Em contrapartida, o excesso de corticóide também interfere na cartilagem de crescimento e retarda o crescimento.

O que é Estirão Puberal?

  • Durante  a puberdade, os homônios sexuais estimulam a produção do hromônio de crescimento e promovem um crescimento acelerado. O estirão ocorre no início da puberdade nas meninas, e apenas mais tarde nos meninos.

Meninos crescem mais do que meninas?

  • Sim. Os meninos começam o estirão aproximadamente 2 anos mais tarde do que as meninas, e com maior intensidade, e por isso têm mais tempo para crescer. Por isso que no início da puberdade, a menina parece maior e mais madura que o menino da mesma idade. Porém, em geral, os meninos são em média 13cm mais altos que as meninas.

Por que “paramos de crescer” após a puberdade?

  • Os hormônios da puberdade favorecem o crescimento, estimulam a liberação de hormônio de crescimento, e provoca o “estirão”.  Nesse período, crescemos até 20% da nossa altura final. No entanto, estes mesmos hormônios, em especial o ESTRADIOL (hormônio feminino) acelera o “fechamento das cartilagens de crescimento”.
  • Quando as cartilagens de crescimento estão fechadas (ou quase), há pouco crescimento adicional. Não espere seu filho começar a puberdade para se preocupar. Se for preciso fazer algum tratamento de crescimento, ele deve ser iniciado o mais cedo possível. Converse com seu pediatra e Endocrinologista Pediatra para avaliar o potencial de crescimento do seu filho adolescente.